A Bolsa de Valores Sociais (BVS) lançou em Portugal o conceito de Investimento Social, uma nova mentalidade no apoio às organizações sociais. Trata-se de perceber e actuar nas causas sociais e não nas consequências do problema. Vou, então, explicar-vos o contexto da criação da bolsa e como evoluiu a mentalidade de investidores particulares e empresariais.
A BVS nasceu em 2009, com o objectivo de procurar oferecer à sociedade não apenas um novo canal, mas principalmente uma nova mentalidade no apoio às organizações sociais através do conceito do Investimento Social, que foi lançado pela BVS em Portugal.
O Investimento Social obedece ao mesmo principio da filantropia, que é o de fazer o bem. Mas ao contrário da filantropia, que pára por aí, o investimento social pressupõe ir além: perceber e actuar nas causas e não nas consequências do problema. Apoiar soluções que interrompam ciclos de pobreza e de exclusão social e não apenas socorrer essas situações.
Nunca houve uma consciência tão grande a respeito dos problemas sociais, tantas organizações sociais, voluntários e recursos financeiros de fundações, de doadores particulares e de empresas através de programas de responsabilidade social.
Há uns anos atrás, não havia essa consciência, nem o conjunto de recursos que temos nos dias de hoje.
No entanto, as situações de pobreza e exclusão social só se agravam. Estamos em Portugal bem piores que o ano passado. O tecido social está cada vez mais fragilizado. O que acaba por provocar algum cansaço por parte dos doadores.
Mais do que uma necessidade, o grande desafio é provar a capacidade em oferecer novas respostas a velhos problemas. As que não o fizerem estão prontas a fechar num futuro muito próximo devido à instabilidade financeira e institucional que atravessam.
Saõ cotados em média 25 a 30 projectos, sendo todos eles relevantes, pois a aprovação destes é criteriosamente tratada. Todas as candidaturas são analisadas, se for pré-aprovada na fase inicial, então a equipa técnica da BVS visita as instalações para poder perceber as capacidades dos profissionais e da instituição, as do público beneficiário e se o projecto vai actuar na causa e não apenas na consequência dos problemas. É também feita uma análise SWOT e mais tarde são discutidas em comité até que seja aprovado.
Da candidatura à resposta não demora mais do que três, quarto semanas.
Qualquer pessoa pode ser um investidor social. Passa a ter uma página no site e através dessa página tem acesso às informações e aos relatórios do resultado. A partir de cinco euros particulares ou empresas podem tornar-se investidores sociais.
A BVS é um interlocutor que fala a língua do "business". São pragmáticos na visão e metodologia, adoptando os princípios de governação e transparência empresarial sem perder a alma social. Encorajam muitas empresas a não se sentirem culpadas por cobrar que as organizações sociais prestem contas sociais e financeiras dos recursos que recebem. Isto é um pacto de entendimento e parceria.
Até a um próximo post,
Margarida, aluna de relações públicas


















