São muitas as associações de solidariedade social que exercem actividade no mercado português. Milhares de portas abertas que dependem maioritariamente de donativos e parcerias. Em particular de empresas. Numa fase em que a economia de Portugal atravessa um dos seus piores momentos, vamos saber como é que estas associações gerem a situação.
Estas associações englobam-se no terceiro sector que se pode dizer que é constituído por organizações sem fins lucrativos e não governamentais que têm como objectivo gerar serviços de carácter público. Logo, são maioritariamente dependentes de verbas que chegam via apoio e parcerias. Pois, há um fraco peso de donativos particulares. Para estas associações poderem ir mais longe é necessário manterem estruturas profissionalizadas, asseguradas não apenas por voluntários. É necessário haver outro nível de profissionalismo do outro lado, ou seja, das empresas.
Os apoios nunca chegam. Existem empresas que no âmbito da sua politica de responsabilidade social, contactam com as associações. Mas cada vez menos. São as associações que tem de procurar parceiros que possam viabilizar o projecto.
Existem empresas que apoiam associações mas não querem que seja divulgado por serem associações que acolhem causas que socialmente são ainda vitimas de descriminalização. Não é fácil a fidelização das empresas. Há muitos lobbies e muitas fundações, que gerem apoios dentro das próprias empresas. A grande maioria das empresas muda os seus apoios de ano para ano.
Estas associações ajudam a reduzir custos ao país. Apesar de não ser essa a imagem que passa. Os serviços sociais vivem nos gabinetes, atrás de pilhas de papéis. Era preciso que as empresas também tivessem outra atitude para além de avaliar as contas.
O Estado precisa das instituições. As pessoas que pensam que os funcionários destas instituições são voluntárias, enganam-se, pois existe uma grande parte destes funcionários que são pagos, porque se não fosse assim estas instituições tinham também falta de pessoas e profissionais.
E é de aplaudir esta profissionalização, este olhar para as instituições como marcas cuja diferença apenas é terem uma causa por trás, uma relação emocional. Quando se trabalha uma marca no terceiro sector a mais valia é esta vertente emocional.
As instituições tem um problema com o voluntariado: não há o hábito do compromisso. A maioria das pessoas procura o voluntariado para um determinado espaço de tempo e, por vezes, até para um projecto especifico. Faltam voluntários que queiram trabalhar ao longo de três, quatro anos. Os próprios gestores de voluntariado, ou seja, a pessoa responsável custa dinheiro à organização.
Com a situação actual do país sem dúvida que estas causas não estão impunes à crise, pois sem a ajuda do Estado e a terem de gerir todas as necessidades dependendo de parcerias e apoios, não é de todo fácil. As empresas e os particulares hoje em dia tentam cortar o máximo de despesas e encargos possíveis e apesar de o povo português não ser formado infelizmente desde pequeno a este nível, é ainda um povo sensível, que ainda vai ajudando e contribuindo quando há uma causa.
Até um próximo post,
Margarida, aluna de relações públicas
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