quarta-feira, 8 de maio de 2013

Voluntariado – Ensino ou Aprendizagem?



Hoje em dia vivemos numa sociedade capitalista que apela ao consumo e valoriza o material. O voluntariado de certa forma mostra-se contra esta corrente que existe na sociedade que assenta principalmente em valores materiais e económicos. Contudo, não deixamos de estar a viver num mundo feito de contradições e esta é só mais uma: diz-se que o associativismo está em crise, mas o apelo ao voluntariado e a emergência do mesmo é cada vez maior, mais discutido e considerado mais importante, pois inclui projectos de desenvolvimento local, luta contra a pobreza e a exclusão social, quer em Portugal, quer em muitos outros países.
O voluntariado é quando uma pessoa realiza determinada acção de livre vontade e sem fins lucrativos, podemos dizer que é o conjunto de acções de interesse social e comunitário, onde toda a actividade desempenhada reverte a favor do serviço e do trabalho. É considerada uma profissão de prestígio visto que ajuda-se quem precisa, contribuindo para um mundo mais justo e mais solidário. Muitas vezes necessita de especialização e profissionalismo, visto que empresas como hospitais e escolas, por exemplo, necessitam destes serviços de voluntariado. O trabalho voluntário tem sido um factor importante para o crescimento das organizações não-governamentais.
O voluntariado é o amor em toda a sua essência, porque pessoas voluntárias são dignas da condição humana, porque cuidam de desconhecidos sem, no entanto, receber remuneração e muito menos se preocupam em conquistar a fama, o dinheiro ou o reconhecimento da sociedade. Não é de todo fácil ser se voluntário, pois exige ter muito amor para dar, respeito e consideração para com os que vivem em momentos de fragilidade social e financeira.
Hoje em dia no voluntariado é nos possível observar algo que há uns anos atrás não era assim, hoje são muito mais os jovens que aderem a este tipo de iniciativas. Como se explica isso? O que leva um jovem a ter uma experiência de voluntariado, muitas das vezes até no estrangeiro? Estará a educação escolar e não escolar na base deste altruísmo? De que forma? O senso comum encontra uma explicação, pois muitas vezes o caracter missionário e religioso de algumas pessoas é a principal causa. Por exemplo, a religião católica que tem um forte impacto na sociedade portuguesa, apela aos valores da caridade, solidariedade e bem comum. Estes valores fazem também parte da maneira de ser de muitas pessoas que não acreditam em religiões.
Foi considerado o ano 2001 pela Assembleia Geral da ONU, o Ano Internacional dos Voluntários como reconhecimento da valiosa contribuição e potencial deste para o desenvolvimento económico e social.
O voluntariado é também reconhecido pelas Nações Unidas e pelo papel importante que desempenha para o alcance dos objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
Após uma introdução do que é o voluntariado, vou agora dar-vos a conhecer uma acção de voluntariado que está a decorrer e da qual faço parte de uma equipa, “Um Dia Pela Vida” é uma iniciativa da Liga Portuguesa Contra o Cancro no âmbito do programa internacional Relay for Life da American Cancer Society. Tem como principais objectivos: Mudar a atitude da comunidade e de cada um de nós face à doença - cancro não é necessariamente morte; educar e informar, a prevenção é o caminho para a cura e angariar fundos para os programas de prevenção e actividades da Liga Portuguesa Contra o Cancro.  
Trata-se de um projecto desenvolvido na comunidade, pela comunidade, num período que oscila entre os 3 a 4 meses e que culmina com a grande festa de encerramento. Desenrola-se numa atmosfera de festa com espectáculos, música, jogos e outras actividades paralelas. Grupos de pessoas (equipas) participam numa caminhada simbólica ao longo de um percurso que significa não só os passos do doente oncológico após lhe ter sido diagnosticada a doença, como também o empenho de todos na luta contra o cancro. Uma vez que o Um Dia Pela Vida é acima de tudo uma reunião da comunidade e não uma prova desportiva, todos podem participar. Família, amigos, grupos profissionais, colectividades etc., partilhando todos os mesmos objectivos: o acompanhar o doente oncológico e apoiar a missão da Liga Portuguesa Contra o Cancro. As palavras-chave deste projecto são: Celebrar. Recordar. Lutar.
Em Portugal o Um Dia Pela Vida teve o seu início na vila de Coruche em 2005 e desde então já teve lugar em Mértola, Azeitão, Lamego, Ponte de Lima, Redondo, Elvas, Caldas da Rainha, Trofa, Seia, Almeirim, Moura, Alcácer do Sal, Castelo Branco, Guimarães, Funchal, Benavente, Abrantes, Maia, Portalegre, Viana do Castelo, Valença do Minho, Machico, Serpa, Torres Novas, Felgueiras, Vila Viçosa, Peso da Régua, Ílhavo, Ribeirinha, Pombal, Guarda, Santarém. Todos foram um enorme sucesso em termos de adesão das comunidades a esta causa que é a Luta Contra o Cancro.
Um Dia Pela Vida representa a esperança de que os que foram levados pelo cancro não serão esquecidos, que aqueles que estão a lutar contra o cancro serão apoiados e que um dia o Cancro será vencido.






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