Hoje em dia
vivemos numa sociedade capitalista que apela ao consumo e valoriza o material.
O voluntariado de certa forma mostra-se contra esta corrente que existe na
sociedade que assenta principalmente em valores materiais e económicos.
Contudo, não deixamos de estar a viver num mundo feito de contradições e esta é
só mais uma: diz-se que o associativismo está em crise, mas o apelo ao
voluntariado e a emergência do mesmo é cada vez maior, mais discutido e
considerado mais importante, pois inclui projectos de desenvolvimento local,
luta contra a pobreza e a exclusão social, quer em Portugal, quer em muitos
outros países.
O voluntariado é
quando uma pessoa realiza determinada acção de livre vontade e sem fins
lucrativos, podemos dizer que é o conjunto de acções de interesse social e
comunitário, onde toda a actividade desempenhada reverte a favor do serviço e
do trabalho. É considerada uma profissão de prestígio visto que ajuda-se quem
precisa, contribuindo para um mundo mais justo e mais solidário. Muitas vezes
necessita de especialização e profissionalismo, visto que empresas como
hospitais e escolas, por exemplo, necessitam destes serviços de voluntariado. O
trabalho voluntário tem sido um factor importante para o crescimento das
organizações não-governamentais.
O voluntariado é
o amor em toda a sua essência, porque pessoas voluntárias são dignas da
condição humana, porque cuidam de desconhecidos sem, no entanto, receber
remuneração e muito menos se preocupam em conquistar a fama, o dinheiro ou o
reconhecimento da sociedade. Não é de todo fácil ser se voluntário, pois exige
ter muito amor para dar, respeito e consideração para com os que vivem em
momentos de fragilidade social e financeira.
Hoje em dia no
voluntariado é nos possível observar algo que há uns anos atrás não era assim,
hoje são muito mais os jovens que aderem a este tipo de iniciativas. Como se
explica isso? O que leva um jovem a ter uma experiência de voluntariado, muitas
das vezes até no estrangeiro? Estará a educação escolar e não escolar na base
deste altruísmo? De que forma? O senso comum encontra uma explicação, pois
muitas vezes o caracter missionário e religioso de algumas pessoas é a
principal causa. Por exemplo, a religião católica que tem um forte impacto na
sociedade portuguesa, apela aos valores da caridade, solidariedade e bem comum.
Estes valores fazem também parte da maneira de ser de muitas pessoas que não
acreditam em religiões.
Foi considerado
o ano 2001 pela Assembleia Geral da ONU, o Ano Internacional dos Voluntários como
reconhecimento da valiosa contribuição e potencial deste para o desenvolvimento
económico e social.
O voluntariado é
também reconhecido pelas Nações Unidas e pelo papel importante que desempenha
para o alcance dos objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
Após uma
introdução do que é o voluntariado, vou agora dar-vos a conhecer uma acção de
voluntariado que está a decorrer e da qual faço parte de uma equipa, “Um Dia Pela Vida” é uma iniciativa da Liga Portuguesa
Contra o Cancro no âmbito do programa internacional Relay for Life da American
Cancer Society. Tem como principais
objectivos: Mudar a
atitude da comunidade e de cada um de nós face à doença - cancro não é necessariamente
morte; educar e informar, a prevenção é o caminho para a cura e angariar fundos para os programas de prevenção e
actividades da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
Trata-se de um projecto desenvolvido na
comunidade, pela comunidade, num período que oscila entre os 3 a 4 meses e que
culmina com a grande festa de encerramento. Desenrola-se numa atmosfera de
festa com espectáculos, música, jogos e outras actividades paralelas. Grupos de
pessoas (equipas) participam numa caminhada simbólica ao longo de um percurso
que significa não só os passos do doente oncológico após lhe ter sido diagnosticada
a doença, como também o empenho de todos na luta contra o cancro. Uma vez
que o Um Dia Pela Vida é acima de tudo uma reunião da comunidade e não uma
prova desportiva, todos podem participar. Família, amigos, grupos
profissionais, colectividades etc., partilhando todos os mesmos objectivos: o
acompanhar o doente oncológico e apoiar a missão da Liga Portuguesa Contra o
Cancro. As palavras-chave deste projecto são: Celebrar. Recordar. Lutar.
Em Portugal o Um Dia Pela Vida teve o seu início na vila de Coruche em 2005
e desde então já teve lugar em Mértola, Azeitão, Lamego, Ponte de Lima,
Redondo, Elvas, Caldas da Rainha, Trofa, Seia, Almeirim, Moura, Alcácer do
Sal, Castelo Branco, Guimarães, Funchal, Benavente, Abrantes, Maia,
Portalegre, Viana do Castelo, Valença do Minho, Machico, Serpa, Torres Novas,
Felgueiras, Vila Viçosa, Peso da Régua, Ílhavo, Ribeirinha, Pombal,
Guarda, Santarém. Todos foram um enorme sucesso em termos de adesão das
comunidades a esta causa que é a Luta Contra o Cancro.
Um Dia Pela Vida representa a esperança de que os que foram levados pelo
cancro não serão esquecidos, que aqueles que estão a lutar contra o cancro
serão apoiados e que um dia o Cancro será vencido.

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